domingo, 11 de dezembro de 2016

A rejeição de Saul e a decadência do Profeta Samuel



A rejeição de Saul e a decadência do Profeta Samuel

            Saul foi constituído rei de Israel, no entanto o profeta Samuel continuava sendo a autoridade sacerdotal e responsável pelo andamento das coisas de Deus, sobretudo pelos cerimoniais religiosos que eram muito apreciados pelo povo, como festas públicas. Saul era político, Samuel, homem de Deus. Ambos tinham se encontrado por força das circunstâncias em uma espécie de aliança quanto ao governo do povo de Deus. Saul cuidava do lado político e do exército, Samuel dos rituais religiosos. No entanto, isso se tornou uma armadilha para Samuel, uma simbiose altamente perigosa. A aliança da política com a religião revelou ser um desastre.
            A função cerimonial de Samuel foi atropelada por Saul, sua imparcialidade ficou comprometida. Samuel acabou por subjugar-se e condescender com a autoridade política.
            Em 1 Samuel capítulo 15 relata que Saul desobedeceu as ordens do Senhor. E Samuel foi convocado para repreendê-lo. A princípio Samuel com muita coragem repreendeu o rei Saul, mas logo caiu em sua conversa lisonjeira.
            1 Samuel 15: 22-23. 22 Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. 23 Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei.
            1 Samuel 15: 24-25. 24 Então, disse Saul a Samuel: Pequei, pois transgredi o mandamento do Senhor e as tuas palavras; porque temi o povo e dei ouvidos à sua voz. 25 Agora, pois, te rogo, perdoa-me o meu pecado e volta comigo, para que adore o Senhor.
            Samuel ainda tenta persuadir Saul e manter-se a si mesmo no propósito de Deus.
            1 Samuel 15: 26-29. 26 Porém Samuel disse a Saul: Não tornarei contigo; visto que rejeitaste a palavra do Senhor, já ele te rejeitou a ti, para que não sejas rei sobre Israel. 27 Virando-se Samuel para se ir, Saul o segurou pela orla do manto, e este se rasgou. 28 Então, Samuel lhe disse: O Senhor rasgou, hoje, de ti o reino de Israel e o deu ao teu próximo, que é melhor do que tu. 29 Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é homem, para que se arrependa.
            1 Samuel 15: 30-31. 30 Então, disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora, diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel; e volta comigo, para que adore o Senhor, teu Deus. 31 Então, Samuel seguiu a Saul, e este adorou o Senhor.

            Saul foi rejeitado por conta de sua desobediência. Não era digno do cargo e da função que recebera. No entanto o mais triste dessa história é a decadência do profeta Samuel, que se comprometeu demasiadamente com o homem, com a política, com as honras e insígneas públicas em detrimento do chamado de Deus em sua vida. Samuel sabendo que Saul tinha sido rejeitado, que o seu reino havia sido decretado o fim, e mesmo sendo portador dessa menagem, ainda seguiu Saul numa cerimônia pública de aparência.

            Saul e Samuel continuam vivos ainda hoje, e aparecem juntos sobretudo em anos políticos como esse. Samuel pensa que é um bom partido apoiar Saul, faz de tudo para isso, inclusive comprete o seu chamado, dissimula, sufoca a repreensão do Senhor, e segue Saul em suas aparições públicas. Saul tem boa aparência, um bom nome, apresenta-se como um escolhido embora já tenha sido rejeitado.
            Samuel está ali preso na sua aliança, tem o conhecimento da verdade, sabe para o que foi chamado, no entanto se deixa enrredar pelas honras humanas, opta por manter a aparência do que é falso, por fazer pose diante dos homens.
            A que ponto de dissimulação e comprometimento com a corrupção desceu o profeta, passou a temer o poder político daquele que Ele mesmo ajudou a estabelecer e devia ser tutor e conselheiro, no entanto foi totalmente engolido no vórtice voraz do desviado Saul.
            Esse perigo continua hoje pairando sobre todo servo de Deus que dá proeminência às alianças políticas em detrimento à sua aliança com Deus. Para ter vantagens no mundo, para obter vantagens materiais e sociais para a igreja, para ingressar a si mesmo na sociedade estilizada e fazer seu nome e sua carreira relegam a  segundo e terceiro plano o Nome do Senhor e Sua justiça.

1 Samuel 15: 34-35. 34 Então, Samuel se foi a Ramá; e Saul subiu à sua casa, a Gibeá de Saul. 35 Nunca mais viu Samuel a Saul até ao dia da sua morte;
Samuel viveu exilado, sob a vigilância de Saul, com suas atitudes colocou o ministério profético a mercê do poder político, e a nação ao invés de ter em primeiro lugar uma voz profética, teve o governo de um louco e desviado dos caminhos do senhor.
 Quando foi chamado por Deus novamente para ungir David, Samuel teve medo de Saul, e teve que arrumar uma boa desculpa a fim de ir na casa de Jessé.
Samuel havia se desligado de Saul, porém se encontrava cerceado pelo seu poder. Samuel havia se desligado de Saul, porém não antes de ter participado no ato insano de honrar e levantar publicamente a imagem de um político que usava falsamente o nome de Deus para se apresentar publicamente.


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