domingo, 16 de agosto de 2020

Ao anjo da igreja em Éfeso

 

Apocalipse 2: 1. Ao anjo da igreja em Éfeso escreve: Isto diz aquele que tem na sua destra as sete estrelas, que anda no meio dos sete candeeiros de ouro:
 
Éfeso é uma cidade com uma igreja de Jesus Cristo. O pastor dessa igreja é chamado "anjo" - que significa mensageiro. A linguagem simbólica também é usada para proteger pessoas.
 
Jesus se apresenta: "Tem na mão direita os mensageiros e anda entre uma igreja e outra". Ele detém sob a Sua direção, ordem e comando os sete pastores - os pastores que andam em Sua presença. Ele anda, caminha, passeia pelas sete igrejas - aquelas que são Suas.
 
A igreja em Éfeso havia tido "pastores estrelas", Paulo, Timóteo e João. Jesus lembra que, não importa o renome, tem que estar em Suas mãos.
 
Éfeso era a maior cidade da Ásia Menor, era chamada de "Feira das Vaidades". A deusa diana era conhecida como "diana dos Efésios".
Jesus lembra que não importa a que entidade a maioria das pessoas da cidade é devota, desde que haja naquela localidade verdadeiros crentes ali está Jesus no meio deles.
 
Jesus presente no meio da igreja. Jesus nos segurando em Suas mãos. Essa realidade precisa ser resgatada e vivida hoje.
 
 

domingo, 9 de agosto de 2020

As sete estrelas e os sete candeeiros

 

Apocalipse 1: 20. Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.
 
A visão das sete estrelas na mão direita, e dos sete candeeiros ao redor de Si, é revelada. Não deixa margem para qualquer outra explicação ou especulação.
 
Era costume e estratégia de Jesus falar ao povo por parábolas e depois explicar em particular para os discípulos. João está tendo a oportunidade de reviver esses momentos preciosos de ter um particular com Jesus.
 
O que era mistério e totalmente incompreensível foi revelado e traduzido de forma tão simples e natural.
 
A revelação, o apocalipse de Jesus Cristo, aparece assim, a princípio um mistério, (no meio de sete candeeiros e com sete estrelas na mão), mas é o próprio Deus quem revela outra vez o entendimento em nossos corações.
 
 

João escreveu o apocalipse

 

Apocalipse 1: 19.
Portanto, escreva as coisas que você viu, tanto as presentes como as que acontecerão.
 
João viu! João não sonhou, não imaginou, não inventou. João viu.
João não escreveu por que quis, não escreveu para vender livro, não escreveu para causar polêmica, não escreveu pra ficar famoso. João escreveu porque foi mandado.
 
Então, João escreveu as revelações, descreveu as cenas e os cenários. Retratou os personagens que viu, cada qual em sua respectiva performance.
 
João detalhou como pôde; usando a comparação, tentou transmitir o que viu de forma que o imaginário dos leitores reproduza a mesma cena.
 
Ainda que à primeira vista pareça um enigma ou aterrorizante, no entanto é a palavra de Deus escrita que aos poucos vai descortinando, vai revelando a mensagem aos nossos corações.
 
João viu coisas referentes ao seu contexto temporal, como também do futuro tão longínquo que nós do século 21 ainda esperamos.
 
 

Ele vive

 

Apocalipse 1: 18. Eu sou o que vivo; fui morto, mas eis aqui estou vivo pelos séculos dos séculos! E tenho as chaves da morte e do inferno.
 
Ele vive. Foi morto, mas está vivo para sempre. A morte é o desafio impossível do ser humano, o terror da vida, o problema insolúvel. Ninguém conseguiu nem jamais conseguirá resolver.
No entanto, Jesus Cristo e o Seu testemunho desbanca o poder e o histórico da morte. 
 
Há uma ideia, uma filosofia que a "morte" é um ser, uma entidade. E que o Seol é um lugar onde fica as almas dos mortos. Dentro dessa concepção e utilizando essa ideia, Jesus afirma: "Eu tenho as chaves da 'morte' e do seu mundo. 
 
Ter as chaves significa ter autoridade. Em outras e mais claras palavras - Jesus tem autoridade sobre a morte e sobre o estado de estar morto.
 
Ele é a ressurreição e a vida.
João 11: 25. Então Jesus afirmou: – Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.
 
 

Quando O vi caí aos seus pés

 

Apocalipse 1: 17. Quando eu o vi, caí aos seus pés, como morto. Porém ele pôs a mão direita sobre mim e disse: – Não tenha medo. Eu sou o Primeiro e o Último.
 
João não pulou freneticamente, não gritou de forma histérica, não chorou copiosamente, não correu para abraçar Jesus, pra "recostar" em Seu peito.
 
João não teve qualquer comportamento que uma pessoa pudesse ter quando 60 anos antes o mesmo Jesus andava com eles.
Jesus é o mesmo, ontem, hoje e eternamente. É o mesmo Rei e Senhor. O que mudou é que agora João O viu na Sua formosura, na Sua Glória. E a única atitude plausível de se ter, é prostrar-se aos Seus pés.
 
Mas O mesmo Jesus deixou de lado as sete estrelas que estavam em Sua mão direita, para por Sua mão sobre João e dizer: - Não tenha medo. Eu Sou o primeiro e o último.
 
Ele é o primeiro, Aquele Galileu que João conheceu, conviveu, seguiu e aprendeu. Ele é o último, Este que João viu e não conseguiu ficar em pé por causa da Sua Glória.
 
E o interessante disso tudo é que O Último às vezes também age como O Primeiro, como nesse ato de pôr a mão direita sobre João.
 
 

A mão direita, a boca e o rosto

 

Apocalipse 1: 16. Na mão direita Ele segurava sete estrelas, e da sua boca saía uma espada afiada dos dois lados. O seu rosto brilhava como o sol do meio-dia.
 
A mão direita é a mão do agir, a mão que governa e determina. Estrelas representam anjos, que por sua vez significam mensageiros. Os mensageiros (pastores) das igrejas devem estar nas mãos de Jesus, serem governados e comandados por Ele. Daniel capítulo doze versículo três nos confirma essa afirmação dizendo que os que vivem retamente e os que ganham almas brilharão como estrelas.
Daniel 12: 3. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que converterem a muitos para a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.
 
A Palavra que sai da boca de Cristo Glorificado é como uma espada de dois gumes (afiada dos dois lados), ela penetra facilmente nos corações, mas também corta em todas as direções, ela também decepa cabeças, se preciso for.
Hebreus 4: 12. Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.
 
O rosto que tempos atrás foi ferido, cuspido e esbofeteado, agora brilha a pleno vigor. Esse brilho não é uma luz refletida - é o brilho da Glória presente Nele e própria Dele. O rosto brilha como o sol na sua maior força.
Malaquias 4: 2. Mas, para vocês que me temem, a minha salvação brilhará como o sol, trazendo vida nos seus raios. Vocês saltarão de alegria, como bezerros que saem saltando do curral.
 
A mão direita domina os mensageiros. A boca envia a palavra cortante e penetrante. O rosto brilha com a presença manifesta.
 
 

Pés como bronze polido e voz como som de muitas águas

 

Apocalipse 1: 15. Os Seus pés brilhavam como o bronze polido e a Sua voz ressoava como o som de muitas águas.
 
O soldado romano polia e dava brilho em suas botas em duas ocasiões específicas - quando ia para a batalha, e quando ia fazer o desfile ao retornar vitorioso da batalha.
 
Jesus é O General vitorioso, que marcha à frente do seu povo. Jesus venceu o mundo, a morte, o inferno e o pecado. Seus pés brilham como o bronze polido - Ele está pronto e disposto a entrar em qualquer batalha por nós. Ele profeticamente já se apresenta vitorioso.
 
Pés de bronze também nos fala de julgamento. Ele está pronto para "pisar o lagar".
Isaías 63: 3. Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; eu os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor, e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura.
 
Sua voz é estrondosa, retumbante, com força, poder e autoridade. João a compara com o som produzido por muitas águas, como o de uma grande cachoeira.
 
É a voz do General no comando da tropa. Jesus comanda o universo. Dá ordens ao exército do céu. Tudo o que existe obedece à Sua voz.
 
Joel 2: 11. À frente do seu exército, o SENHOR dá ordens em alta voz. O exército é enorme, e os soldados são valentes! Como é terrível o Dia do SENHOR! Quem poderá suportá-lo?
 
 

Cabelos brancos como a lã e olhos como chamas de fogo

 

Apocalipse 1: 14. e a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca e como a neve; e os seus olhos como chamas de fogo.
 
O cabelo branco nos fala sobre a sabedoria. (Ele sabe todas as coisas). Nos constrange a termos profundo respeito e obediência. Nos fala também da Santidade, da Divindade e da Eternidade de Cristo. Sendo ainda um símbolo de dignidade e honra.
 
Os olhos como chamas de fogo nos fala do conhecimento, do poder e da autoridade. Esse olhar penetra e sonda o nosso interior, de forma que é impossível se esquivar.
 
"Cabelo branco e olhos como chamas de fogo" conhece o nosso interior, propósitos, projetos, pensamentos e intenções do coração. E sabe nos tratar devidamente com Palavra, orientação, conselho, disciplina ou julgamento.
 
 

Vestes talares e cinto de ouro

 

Apocalipse 1: 13b ...vestindo uma roupa que chegava até os pés e com um cinto de ouro em volta do peito.
 
"Vestindo uma veste talar" - "uma roupa que chegava até os pés" - Essa veste é característica de Sacerdote, Juiz e Rei. 
 
No meio das igrejas, Jesus exerce o sacerdócio, aplica o juízo e a justiça e reina soberanamente.
 
Como Sumo Sacerdote, Jesus é o Mediador - leva ao Pai as nossas causas e intercede por nós. Como Sumo Sacerdote perdoa nossos pecados.
 
Como Juiz, julga com justiça. Analisa nossas questões e controvérsias. Como Juiz determina e envia a Palavra que precisamos ouvir. Sentencia, adverte, orienta, dá ganho de causa ou aplica o juízo.
 
Como Rei é incontestável em tudo o que decide, em tudo o que determina. Como Rei, nos prostramos aos Seus pés e O adoramos como Ele é.
 
O cinto de ouro é a Sua graduação máximo. Sumo Sacerdote. Supremo Juiz. Rei dos reis.
Hebreus 4: 14. Tendo, portanto, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão.
 
Atos 10: 42. Este (Jesus) nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos.
Apocalipse 19: 16. No manto, sobre a sua coxa tem escrito o nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores.
 

Um semelhante a filho de homem

 

Apocalipse 1:13a. E no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem,...
 
"Filho do homem" - expressão pela qual o profeta Ezequiel era chamado por Deus. (Ezequiel 2: 1. E disse-me: Filho do homem, põe-te em pé, e falarei contigo).
 
"O Filho do Homem" - expressão que Jesus aplicou-se a si mesmo. (João 3: 13. Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem).
 
"Um semelhante a filho de homem" - o profeta Daniel teve a visão de Jesus recebendo todo o poder e autoridade (descrito em Mateus 28: 18), seiscentos anos antes de acontecer.
 
Daniel 7: 13. Eu estava olhando nas minhas visões noturnas, e eis que vinha com as nuvens do céu um como filho de homem; e dirigiu-se ao ancião de dias, e foi apresentado diante dele.
14. E foi-lhe dado domínio, e glória, e um reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído.
 
Filho do homem, é portanto, Jesus, de quem nós temos semelhança. Quando João descreve (no inverso) - semelhante a filho de homem - é pra facilitar nossa compreensão, porque estamos habituados a ver homens e não Jesus.
 
Mas o correto seria dizer: " Vi Jesus, de Quem nós homens, somos semelhantes, ou temos semelhança".
 
No meio dos candeeiros - Jesus é o centro, a fonte de luz, a fonte da luz dos candeeiros, das igrejas.
 
 

Sete candelabros de ouro

 

Apocalipse 1: 12. Eu virei para ver quem falava comigo e vi sete candelabros de ouro.
 
Tendo ouvido atrás de si a voz forte, João não se contém apenas em ouvir. A curiosidade o levou a virar-se, a voltar-se para trás, justamente para ver o dono daquela voz. Imagina o espanto de João ao se deparar com um cenário e uma "Figura Sobre-humana" surpreendente.
 
Os sete candeeiros, luzeiros, são a representação espiritual das sete igrejas, (Ap 1: 20), provavelmente dispostas em círculo, como que unidas, formando para quem olhar de longe, uma grande bola de luz.
João vê em primeiro lugar o cenário da igreja - candelabro; candeeiro - cada candeeiro distinto um do outro, no entanto, em unidade. Cada candeeiro é portador de luz. Não possui luz própria, mas sua luz é proveniente do "incendiar" do azeite - que representa o fogo do Espírito Santo.
 
Enquanto a candeia (mais simples), representa uma pessoa, o candeeiro (bem mais elaborado), representa a igreja. Possui uma base, uma haste de prolongamento e por fim o suporte da lâmpada propriamente dita. Essa igreja, com uma base sólida e um mecanismo de alcance.
 
João viu a igreja, que no seu contexto físico era perseguida e assolada, mas na esfera espiritual, cheia de luz.
 
 

Sete cidades da Ásia

 

Apocalipse 1: 11b. Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.
 
Cada cidade dessa tinha uma igreja reconhecida por Jesus e escolhida para ser-lhe enviada uma carta.
 
Não é possível dizer se já havia nessa época já uma variedade de denominações cristãs, no entanto, é importante notar que cada igreja referida tem uma relação muito forte com o contexto da cidade, em todos os aspectos.
 
De certa forma a igreja era um retrato, ou uma pequena porção da cidade. Aspectos históricos e culturais da cidade são sabiamente "trabalhados" por Jesus para a composição de cartas extremamente específicas e direcionadas a cada uma delas em seu tempo. E ainda transcender o tempo e alcançar todas as futuras gerações por revelação na pregação das mesmas cartas.
 
As igrejas são igrejas locais, estão enraizadas na cidade. Cada uma delas é única. Não existe filial. Não existe igreja filha. Não existe "campo".
 
Cada uma delas é tratada por Jesus.
 

Enviando o Apocalipse

 

Apocalipse 1: 11a... dizendo: o que vês escreve em livro e envia às sete igrejas: 
 
João recebe a ordem expressa de escrever "o que ver" e enviar às sete igrejas. Essas sete igrejas são todas da Ásia Menor. 
 
Situavam-se mais ou menos numa via circular que cobria a província da Ásia. O número sete simboliza a totalidade.
 
João descreve com suas próprias palavras o que vê. João usa seu vocabulário, o vocabulário humano bastante limitado para descrever as visões celestiais. Por isso João usa bastante a "comparação" para tentar descrever o mais aproximado possível suas visões.
 
Outrossim, João também se depara com visões simbólicas, trazendo às vezes a interpretação e outras vezes deixando em suspenso.
 
Em suma, João escreveu do jeito que Deus permitiu. João enviou do jeito que Deus mandou. 
 
E assim, do jeito de Deus e através de João e tantos outros ao longo da história (tradutores / copistas / redatores / linguistas / distribuidores), que essa carta também chegou até nós e pode ser exposta até no Facebook e muito mais.