terça-feira, 28 de julho de 2020

A sabedoria, a insensatez e a loucura

Eclesiastes 2: 12-13. Foi então que comecei a refletir na sabedoria, na loucura e na insensatez. O que pode fazer de novo o sucessor do rei a não ser repetir o que já foi feito?
Reconheci que a sabedoria vale muito mais que a insensatez, assim como a luz é melhor que as trevas.
 
O eclesiastes passa a considerar as coisas sob um outro ponto de vista, digamos, sociológico. Passa a considerar três tipos de pessoas; os sábios, os loucos e os insensatos. Provavelmente analisa a história dos reis de Israel, ou pessoas com cargos importantes em seu próprio governo.
 
O louco não sabe o que está fazendo. O insensato engana-se achando que sabe. O sábio sempre tem uma reserva, uma dúvida se realmente está fazendo o que é certo. 
 
Mas, então, em meio a esse "trilema", ele conclui que a sabedoria é o melhor caminho assim como a luz é melhor que as trevas.
Com essa sabedoria que tinha, procurava fazer coisas novas em seu governo, queria criar, mas não achou jeito, a não ser repetir o que seus antecessores haviam feito.
 
Sua sabedoria tinha se deparado com um limite e isso o angustiara ao ponto de investigar se a loucura ou a insensatez porventura não fossem melhor ou quiçá estivessem no mesmo patamar de sua sabedoria.
 
Felizmente reconhece que a sabedoria vale mais.
 
 

Um olhar para o passado

Eclesiastes 2: 11. Mas, quando pensei em todas as coisas que havia feito e no trabalho que tinha tido para conseguir fazê-las, compreendi que tudo aquilo era ilusão, não tinha nenhum proveito. Era como se eu estivesse correndo atrás do vento.
 
Um determinado empreendimento pode ser muito proveitoso para quem o empreendeu e para quem foi abençoado por ele. 
 
O pensamento do Eclesiastes se refere a um olhar para trás misturado com o que ele está sentindo agora na "velhice". 
 
Porventura solitário, falto dos bajuladores, dos elogios e apoio tão constantes quando se encontrava em plena atividade.
 
Cansado, sem forças e desanimado não conseguia ter satisfação na vida de "aposentado". 
 
Todos nós temos uma reflexão semelhante ao olhar para o passado, tipo: "Quanto tempo perdi, envolvido em tal coisa", "quantos recursos desperdicei investindo em tal negócio". 
 
É só depois de passado, que compreendemos que o que fazíamos era ilusão e correr atrás do vento. 
 
Mas eis a oportunidade de refletir se algo para o qual tanto nos consumimos hoje, de repente é sem proveito algum e não passa de ilusão e correr atrás do vento.
 
 
 

Ocupados demais no trabalho

Eclesiastes 2: 9 - 10.
9. Sim! Fui grande. Fui mais rico do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria.
10. Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mesmo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.
 
Uma pessoa empreendedora, conquistadora, vencedora. Conquistou até títulos imaginários de "o mais rico", "o mais sábio". 
 
Conseguiu tudo o que teve vontade, não teve falta de nada. Experimentou a fundo os prazeres da vida.
 
Realizado com o que realizou, sentia-se feliz na ocupação do seu trabalho, ao ponto de declarar ser isso a sua recompensa.
 
Enquanto estamos ocupados no trabalho ou em qualquer realização, aquilo nos motiva e nos provê alegria. No entanto existe o perigo de nos consumirmos ali, e não abrirmos os olhos para outras esferas da vida.
 
 

sábado, 25 de julho de 2020

Uma vida regalada mas relegada à esfera física e material

Eclesiastes 2: 7-8. Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e de rebanhos, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém. Ajuntei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, concubinas em grande número.
 
Que vida invejável! Poderia exclamar e desejar, a maioria dos seres humanos.Detentor de escravos - considerado normal até mesmo na época da igreja primitiva de meados do segundo século.Detentor de grandes possessões de gado. Possuidor de grande quantidade de ouro e prata.Festas particulares com artistas exclusivos. Mulheres, quantas e quais sua alma desejava.
 
No entanto, se acareado com a mensagem da cruz, reprova em todos os requisitos. 
 
Uma vida regalada, mas relegada à esfera física e material.
 
No entanto, O Rei de Israel não está se gabando desses feitos. Ele os está relatando com pesar, procurando passar a mensagem e dar o testemunho, que todas essas conquistas são vaidade.
 
Foi justamente esse tipo de reflexão que levou esse "Rei de Israel" a se tornar esse "Eclesiastes" - pregador oficial que convoca uma assembléia para ouví-lo.
 
 

O trabalho como válvula de escape

Eclesiastes 2: 4-6. Realizei grandes coisas. Construí casas para mim e fiz plantações de uvas. Plantei jardins e pomares, com todos os tipos de árvores frutíferas. Também construí açudes para regar as plantações.
 
O trabalho, o empreendedorismo muitas vezes é utilizado como "fuga", como "válvula de escape", como "esconderijo" da alma que não encontrou a razão de viver.
 
O Eclesiastes, rei de Israel, também lançou mão dessa alternativa. Ocupou sua mente, ocupou seu tempo, ocupou seu coração com grandes empreendimentos e realizações.
 
Essa estratégia funciona assim: - "Enquanto a pessoa está ocupada, esquece dos seus dilemas, dos seus problemas sentimentais e psicológicos, mas quando termina uma obra a ansiedade lhe domina até que arranja outro projeto para pôr em prática, e assim vai, vivendo a vida envolvida, entorpecida por trabalho e realizações". 
 
No entanto, quando não puder realizar mais nada, a vida cobra seu preço por nunca ter sido encarada. Quando não puder realizar mais nada, não tem pra onde fugir, não tem pra onde escapar, não tem como se esconder. 
 
Aprendemos que, sem Jesus, nada é significativo, nada é permanente.
 

A melhor maneira de viver

Eclesiastes 2: 3. Procurei ainda descobrir qual a melhor maneira de viver e então resolvi me alegrar com vinho e me divertir. Pensei que talvez fosse essa a melhor coisa que uma pessoa pode fazer durante a sua curta vida aqui na terra.
 
Também já tive a experiência de beber e me divertir nas "brincadeiras dançantes" de outrora. Realmente a bebida provia a alegria das noites de sexta e sábado, às vezes até no domingo à tarde íamos para o bar, tomar como dizíamos "uma gelada".
 
O ânimo se alterava, o astral ficava elevado, era a maior alegria que até então conhecia. Também pensava que essa era a melhor coisa a fazer na vida difícil e solitária que levava. Ali, tinha amigos, amigos de bar, mas pareciam ser os melhores, os animadores da minha triste alma.
 
No entanto, a segunda-feira cobrava um alto preço, os anoiteceres e as madrugadas dos outros dias cobravam um alto preço. Estava só, vazio, perturbado, sem paz, sem perspectiva de vida. Era um ciclo vicioso, precisava de mais daquilo. 
 
Um dia descobri que tudo aquilo era ilusão e correr atrás do vento. Descobri que Jesus Cristo é a alegria da vida, de tarde, à noite, de madrugada ou pela manhã. 
 
Esse ano faz 18 anos que nunca mais bebi nem procurei me divertir daquele velho modo. Hoje, a alegria vem todo dia pela manhã, quando me encontro com Deus em oração. A "diversão" é garantida, há festa constante em meu coração por ter sido alcançado, perdoado, aceito, recebido, acolhido e salvo por Jesus.
 
Hoje sei, que Jesus Cristo é o melhor de tudo o que uma pessoa pode viver aqui nessa terra debaixo do sol.
 
 
 

Viver longe de Deus é tolice e ilusão

Eclesiastes 2: 1-2. Então resolvi me divertir e gozar os prazeres da vida. Mas descobri que isso também é ilusão.
Cheguei à conclusão de que o riso é tolice e de que o prazer não serve para nada.
 
Esses versículos relatam uma experiência semelhante a de um desviado cristão-evangélico de nossos dias. Alguém que resolveu dar um tempo, como dizem. Alguém que não se deixou encontrar e achou difícil a vida de renúncia e o caminho estreito.
 
Então resolveu se divertir e gozar os prazeres da vida, mas como o "filho pródigo" da parábola (Lucas 15: ), foi alcançado pela graça no meio da lama e caiu em si, descobriu que a vida de prazeres é uma ilusão. 
 
Concluiu que os prazeres da vida por si só, não preenchem o vazio da alma, por mais que sejam extravagantes e infindáveis.
 
Alguém que experimentou a sabedoria, longe de sábias palavras não consegue viver, não consegue ter prazer. Se tiver a graça de não morrer, um dia descobre e conclui que viver sem aplicar a sabedoria é ilusão, vaidade e correr atrás do vento.
 
 

Sofrendo pela verdade

Eclesiastes 1: 18. Quanto mais sábia é uma pessoa, mais aborrecimentos ela tem; e, quanto mais sabe, mais sofre.
 
É notório o fato que as pessoas que não pensam em nada, não se preocupam com nada, vivem sorrindo e felizes. 
 
E quanto mais uma pessoa tem conhecimento e sabedoria mais ela se ocupa na tarefa do pensamento, do raciocínio e da reflexão. Por isso se aborrece ao perceber a tolice dos outros, as injustiças, as negligências, imprudências e aberrações cometidas por quem deveria fazer por merecer em todas as esferas da vida.
 
No meio cristão, por exemplo, quem conhece a verdade, sofre ao presenciar tanta asneira cometida "para Deus" e "em Nome de Deus".
 
Se conhecemos a verdade - sofremos ao ver a mentira ser passada como verdade. Se conhecemos a Palavra de Deus - sofremos, nos aborrecemos e sentimos tristeza ao ver que o palavreado e a pretensa explicação do homem é recebido como de Deus.
 
Quanto mais uma pessoa sabe, mais sofre. Não nos é lícito fugir desse desígnio. Não vale a pena ser um tolo feliz e sorridente.
 

Importa é ser sábio e sofrer pela verdade.
 
 

Solilóquio - conversando consigo mesmo

Eclesiastes 1: 16-17. Falei eu com o meu coração: “Eu me tornei um grande homem, muito mais sábio do que todos os que governaram Jerusalém antes de mim. Eu realmente sei o que é a sabedoria e o que é o conhecimento.”
Assim, procurei descobrir o que é o conhecimento e a sabedoria, o que é a tolice e a falta de juízo. Mas descobri que isso é o mesmo que correr atrás do vento.
 
Solilóquio é quando conversamos com nós mesmos, uma conversa diante do espelho, falando consigo mesmo. Como diz um adágio popular, quando uma pessoa é surpreendida falando sozinha, ela assim justifica: "- Estou aqui falando com os meus botões".
 
O Eclesiastes conversou consigo mesmo, refletiu e concluiu que tinha se tornado grande e sábio, tinha "estudado" a filosofia da vida, desde as tolices até a extrema sabedoria. Então ele conclui: "Tudo isso não me satisfez, continuo sentindo um vazio, e todo o meu esforço em me tornar grande e sábio tem sido vão, me sinto como alguém que correu a vida inteira atrás do vento e nada encontrou.
 
A vida, os projetos, as realizações quando tem o fim em si mesmos, quando o foco e o objetivo não são glorificar a Deus deixam apenas um vazio na alma e no coração.
 
Essa conversa com o próprio coração, com o próprio eu é importante para descobrir isso e a partir daí, tomar uma posição consciente e definitiva em Cisto Jesus.
 
Pois tudo o que fizermos sem Deus e não para Deus incorre no vazio do nosso coração. O único que nos preenche é Jesus Cristo.
 
 

A perspectiva do céu

Eclesiastes 1: 15. O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode enumerar.
 
Provavelmente este versículo é um provérbio conhecido, um ditado popular. Transmite a ideia da impotência do ser humano diante de determinadas circunstâncias.
 
O ser humano não consegue consertar por si mesmo comportamento errado e desvio de caráter. O ser humano não pode ter o controle sobre algo que ainda não aconteceu.
 
Esse provérbio é proveniente de uma perspectiva de debaixo do sol. No entanto sabemos que da perspectiva do céu tudo o que é torto pode ser endireitado, e o que ainda não existe pode ser computado.
 
 
Os provérbios geralmente são da sabedoria popular, observações da vida, que portanto, se limitam a essa vida. Mas a nossa vida em Deus, a nossa vida em Cristo opera na dimensão espiritual e sobrenatural do Deus que tudo pode.

É tudo como correr atrás do vento

Eclesiastes 1: 14. Eu tenho visto tudo o que se faz neste mundo e digo: tudo é ilusão. É tudo como correr atrás do vento.
 
De fato, a vaidade e a ilusão tem sido o alvo ou a motivação da vida de muitos. É claro que o ser humano contagiado pela ilusão e vaidade não se dá conta disso. Para ele suas vaidades são coisas deveras importantíssimas. Mas para quem o observa sob o olhar da experiência de vida e da sabedoria, é pura vaidade.
 
De fato a ilusão e a vaidade tem sido verdade na vida pessoal, na família, na sociedade e até na igreja. Quando princípios fundamentais são deixados de lado para em seu lugar reinar os eventos, os vestuários, os objetos, as etiquetas sociais, as doutrinas e costumes de homens - isso é pura vaidade.
 
Se a três mil anos atrás tudo o que O Eclesiastes via em relação aos feitos dos homens era vaidade, imagina hoje.
 
Pessoas iludidas estão a correr atrás do vento, sempre a correr atrás do vento sem nunca poder alcançá-lo, sem nunca poder abraçá-lo, sem nunca poder pegá-lo, sem nunca poder tê-lo em suas mãos. E mesmo que um dia por um momento pudesse, ele imediatamente escaparia por entre os seus dedos.
 
Nós temos visto o que O Eclesiastes viu, de uma forma mui potencialmente multiplicada.
 
 
 

O exercício do ser humano

Eclesiastes 1: 13. E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem.
 
O Pregador Eclesiastes, Rei de Israel em Jerusalém aplicou seu tempo e seu coração a observar, analisar e refletir acerca das atividades físicas do ser humano, mais precisamente, sobre o trabalho.
 
Notou que em sua época e em seu reino, todos trabalhavam; os servos porque eram obrigados, os pobres porque necessitavam sobreviver, os ricos para manterem suas riquezas e ganharem mais.
Para ele isso é um fardo pesado, uma ocupação enfadonha, desgastante, que Deus deu ao homem. ( Gênesis 3: 19. Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão).
 
Para ele o trabalho é o exercício do ser humano. O trabalho braçal exercita o corpo. O trabalho intelectual exercita a mentem. O trabalho de uma forma geral exercita a alma. Melhora a disciplina, confere responsabilidade, desenvolve habilidades, faz sentir-se útil, aumenta a auto estima, e traz inúmeros outros benefícios.
 
Acredito que Deus deu o trabalho, e que também mitas vezes não é fácil cumprir a tarefa diária. No entanto, não vejo o trabalho como fardo nem enfado. Se Deus deu, Ele sabe que podemos suportar bem e nos realizar no trabalho que nos deu.
 
Exercitemos ao máximo o nosso potencial, conquistemos e nos realizemos no trabalho que Deus nos deu.
 

domingo, 12 de julho de 2020

No "Eclesiastes" encontramo-nos a nós mesmos

Eclesiastes 1: 12. Eu, o Pregador, tenho sido rei de Israel em Jerusalém.
 
 
O pregador, o sábio, o Eclesiastes, demonstra sua função e sua posição - Rei de Israel.
 
Como seria ver a vida através da perspectiva de um rei. Sábio, culto, rico, cercado de pessoas importantes e servos. Sendo responsável pelo governo de um país, lidando com problemas internos e internacionais.
 
Enfim, como a vida pessoal e pública de um rei, influenciaria o teor e a mensagem da sua pregação e da sua reflexão sobre a vida?.
É deste complexo contexto da vida de um rei de Israel que temos em nossas mãos o livro de Eclesiastes.
 
Encontramos um homem vivido, provado, experimentado. Encontramos alguém que soube aprender com as experiências de vida que teve. Alguém que deixa, sim, transparecer sua humanidade, sua dúvida, seu desencanto, seu cansaço. 
 
Mas, alguém que crê no Criador e conseguiu transmitir verdades incontestáveis e profunda sabedoria que só podem vir de Deus.
 
No Pregador Eclesiastes, encontramo-nos a nós mesmos, por vezes com muitas dúvidas, reflexões só nossas, perguntas sem respostas satisfatórias, e no final da vida aquela plena certeza: o pó volta ao pó e o espírito volta a Deus que o deu.

Se cada um de nós tivesse muita sabedoria e vivesse uma vida de muitas responsabilidades e depois pregasse, falasse, escrevesse, certamente um livro de 'sabedoria' também seria composto.